Num daqueles dias depois da passagem do ano, dei por mim a ver um filme que nunca tinha visto do Denzel Washington, o The Equalizer – Sem Misericórdia e reparei num detalhe. A personagem estava em determinadas alturas a ler um livro que mais tarde se percebe, fazer parte de uma lista de livros que a mulher lia. Ele achou, como ela não conseguiu completar a lista, que o deveria fazer em sua homenagem. Descobri a lista e decidi arriscar e, na verdade, está a ser uma viagem incrível. Por isso partilho convosco também, na esperança de podermos, quem sabe, juntos partilhar esta experiência.

100. O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien

O Sunday Times escreveu que o mundo da língua inglesa se encontra dividido em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e aquelas que o vão ler. Tolkien oferece-nos uma obra verdadeiramente monumental, onde todo um mundo é criado de raiz, um novo universo arquitectado por inteiro, uma irrupção de maravilhoso que é admirável jogo de criação pura. O sopro genial que perpassa na elaboração deste maravilhoso mundo que, como crianças, que todos somos, uns mais fundo do que outros, chegamos a acreditar que existe. Está em último na lista dos 100 livros para ler antes de morrer mas para muitos leitores estará sempre noutra posição.

99. O sol é para todos, de Harper Lee

Vencedor do Prémio Pulitzer e escolhido pelo Library Journal o melhor romance do século XX. Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a historia de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.

98. A Casa e o Mundo, de Rabindranath Tagore

Autor de uma obra vastíssima, Rabindranath Tagore, que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1913, escreveu A Casa e o Mundo em 1916. Este livro, o mais celebrado de quantos publicou, resume bem o estilo de vida que procurou transmitir em toda a sua produção literária e também na escola para jovens que fundou após a morte da mulher e dos filhos: respeito profundo pela vida, amor pela natureza, religiosidade panteísta.
Esta é uma obra percorrida por um tom intimista e de grande riqueza na análise psicológica das personagens; uma obra que mantém vivo o ideal de uma alternativa à realidade violenta deste século e que procura sondar a essência mais profundo dos valores humanos.

97. À Boleia Pela Galáxia, de Douglas Adams

É  uma fabulosa trilogia em 5 partes, em que sobretudo os 4 primeiros contos são verdadeiras obras de arte da ficção científica e da comédia. Segundos antes da Terra ser destruída para dar lugar a uma auto-estrada intergaláctica, o jovem Arthur Dent é salvo pelo seu amigo Ford Perfect, um alienígena disfarçado de actor desempregado. Juntos viajam pelo espaço na companhia do presidente da galáxia (ex-hippie com 2 cabeças e 3 braços), Marvin (robot paranóico com depressão aguda) e Veet Voojagig (antigo estudante obcecado com todas as canetas que comprou ao longo dos anos). Onde estão essas canetas? Porque nascemos? Porque morremos? Porque passamos tanto tempo entre as duas coisas a usar relógios digitais?

96. As mil e uma noites, de autor desconhecido

As histórias que compõe as Mil e uma noites tem várias origens, incluindo o folclore indiano, persa e árabe. Não existe uma versão definitiva da obra, uma vez que os antigos manuscritos árabes diferem no número e no conjunto de contos. O que é invariável nas distintas versões é que os contos estão organizados como uma série de histórias em cadeia narrados por Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei, louco por haver sido traído por sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Xerazade consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Xerazade interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites – as mil e uma do título – ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.

95. Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe

Publicado pela primeira vez em 1774, Os Sofrimentos do Jovem Werther tiveram um sucesso imediato e enorme por toda a Europa. Este livro é o primeiro romance de Goethe, em que o protagonista se mata após o fracasso de sua pretensão sentimental. Sentimentalismo e paixão são os principais conflitos deste romance, precursor do romantismo. A figura atormentada de Werther, a morte como solução de um impasse, a melancolia e a tristeza tornaram-se modelo do herói pré-romântico da época.

94. Os Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie

Nascido precisamente ao bater da meia-noite, no exacto momento em que a Índia se tornava independente, Saleem Sinai é uma criança especial. No entanto, esta simultaneidade de nascimento tem consequências para as quais ele não está preparado: poderes telepáticos ligam-no a outros 1000 «filhos da meia-noite», todos eles dotados de dons extraordinários. Indissociavelmente ligada à sua nação, a história de Saleem é um turbilhão de desastres e triunfos que espelha o percurso da Índia moderna na sua forma mais impossível e gloriosa. Publicado em 1981, Os Filhos da Meia-Noite, segundo romance de Rushdie, não só deu notoriedade ao seu autor como se tornou num fenómeno de êxito literário.

93. A toupeira, de John Lê Carré

O primeiro livro da trilogia de Smiley, a série que o tornou famoso em todo o mundo e consagrou John le Carré como um dos grandes mestres da literatura de espionagem. Smiley e a sua gente deparam-se com um extraordinário desafio: uma toupeira um agente duplo dos soviéticos conseguiu infiltrar-se e ascender ao mais elevado nível dos Serviços Secretos britânicos. A sua traição comprometeu já algumas operações vitais e as melhores redes.
A toupeira é um dos seus. Mas quem?

92. Cold Comfort Farm, de Stella Gibbons

Neste clássico conto satírico, somos apresentados a Flora Poste, que, após a morte de seus pais, descobre estar possuída “de toda arte e graça”, exceto pela capacidade de se sustentar. Ela decide tirar proveito do fato de que “não há limites pré-estabelecidos, pela sociedade ou por sua própria consciência, para o quanto se pode abusar da boa vontade de seus parentes”, e vai morar com membros distantes de sua família na isolada fazenda que dá nome ao livro.

91. The Tale of Genji, de Lady Murasaki

Um dos romances mais antigos do mundo e uma das maiores obras da literatura japonesa, este romance do século 11 gira em torno das vidas e amores do filho de um imperador, oferecendo um panorama das intrigas e rivalidades da vida na corte, bem como um retrato extraordinariamente detalhado de uma aristocracia decadente.

90. Sob a Rede, de Iris Murdoch

Sob a Rede, o primeiro romance de Iris Murdoch, decorre numa zona de Londres onde os escritores em luta pelo reconhecimento estão lado a lado com apostadores profissionais de sucesso, estrelas de cinema ou filósofos inquietos. Jake Donaghue, o seu protagonista, é um jovem astuto, carismático e algo desorientado, que vive de traduções e explora os amigos.

89. The Golden Notebook, de Doris Lessing

Um dos romances mais conhecidos de Doris Lessing, The Golden Notebook é um romance com estrutura complexa, narrado na primeira pessoa pela escritora Anna Wulf, que tenta unir os seus quatro cadernos de memórias num só: o primeiro fala das suas memórias na África Central; o segundo, do seu período no Partido Comunista Britânico; o terceiro é sobre fim de um envolvimento amoroso que teve; e o quarto fala da sua vida emocional e dos seus sonhos.

88. Eugene Onegin, de Alexander Pushkin

Eugenio Onegin é um romance em verso escrito por Alexander Pushkin. O protagonista, que dá nome ao livro, é um dandi de São Petersburgo – aristocrata, rico, militar, insensível, está entediado com a vida, quando herda uma grande fortuna do seu tio.

87. On The Road, de Jack Kerouac

«Para as adolescentes, ele foi o poeta louco, o primeiro amor que nunca esqueceram, com a sua conversa sobre boleias em comboios de carga e carros, estrada fora. Kerouac criou um herói de estilo moderno em “Pela Estrada Fora”; inventou a Geração Beat, originou um estilo de viver e um estilo de escrever.» The Guardian

Uma prosa espontânea, como ele mesmo chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. Mas o manuscrito foi rejeitado por diversos editoras e o livro foi publicado somente em 1957, e foi responsável por uma das maiores revoluções culturais do século XX.

86. O Pai Goriot, de Honoré de Balzac

Um estudo inteligente e reflexivo da burguesia após a Revolução Francesa, e das duas grandes obsessões humanas – o amor e o dinheiro -, O Pai Goriot de Balzac faz parte da imortal série A Comédia Humana.
Eugène quer subir na vida. Assim, vai para Paris, onde as ruas estão repletas de vigaristas, criminosos e oportunistas sociais, todos a tentarem vencer na vida. Quando Eugène arranja alojamento numa pensão pobre, vê um plano potencial para fazer fortuna: as duas belas mulheres aristocráticas que vêm misteriosamente durante a noite visitar o velho e solitário hóspede Goriot. Será que elas poderiam dar-lhe a posição e a aceitação por que ele anseia? No entanto, na cidade nada é o que parece. Depressa Eugène se vê mergulhado num mundo de ganância e obsessão que nunca teria sequer imaginado – um mundo que só pode terminar em tragédia.

85. O Vermelho e o Negro, de Stendhal

Um romance histórico psicológico em dois volumes do escritor francês Stendhal, publicado em 1830. É frequentemente citado como o primeiro romance realista. Definido no período entre o final de Setembro de 1826 até o final de Julho de 1831, trata das tentativas de um jovem de subir na vida, apesar do seu nascimento plebeu, através de uma combinação de talento, trabalho duro, engano e hipocrisia, apenas para se encontrar traído pelas suas próprias paixões.

84. Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas

Alexandre Dumas teceu as suas ficções sobre uma trama do século XVII, misturando personagens reais das mais altamente colocadas com personagens imaginárias, conseguindo colocar uma e outras no panteão dos imortais. A sua inspiração faz agir e falar o monarca absoluto Luís XIII e o temível cardeal Richelieu, Ana de Áustria e Buckingham, reviver toda uma época em que se sucedem as aventuras dos seus heróis, D’ Artagnan, Athos, Porthos, Aramis e essa fascinante Milady, à volta da qual a acção se desenrola com inegável poder dramático. Gerações de leitores renderam-se a esta obra brilhante. E hoje, passado mais de uma século, o livro conserva todo o seu interesse e continua a ser adaptado ao cinema, televisão e mesmo a desenhos animados, transformando esta numa verdadeira obra para todas as idades.

83. Germinal, de Emile Zola

Germinal é o primeiro romance a enfocar a luta de classes no momento de sua eclosão. A história se passa na segunda metade do século XIX, mas os sofrimentos que Zola descreve continuam presentes em nosso tempo. É uma obra em tons escuros e mostrou, como jamais havia sido feito, que o ambiente social exerce efeitos diretos sobre os laços de família, sobre os vínculos de amizade, sobre as relações entre os apaixonados.

82. O Estrangeiro, de Albert Camus

Meursault recebe um telegrama: a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia – até que ocorre um homicídio. Romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, em O Estrangeiro joga-se o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência. Publicado originalmente em 1942, este primeiro romance de Albert Camus foi traduzido em mais de quarenta línguas e adaptado para o cinema por Luchino Visconti em 1967, sendo indubitavelmente uma das obras-primas da literatura francesa do século xx. Esta edição foi revista de acordo com o texto fixado pelo autor.

81. O nome da rosa, de Umberto Eco

Durante a última semana de Novembro de 1327, em um mosteiro franciscano na Itália, paira a suspeita de que os monges estejam cometendo heresias. O frei Guilherme de Baskerville é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. A morte, em circunstâncias insólitas, de sete monges em sete dias, conduz uma narrativa violenta, que atrai o leitor por seu humor, crueldade e erotismo.

80. Oscar e Lucinda – Uma história de amor, de Peter Carey

No livro de Peter Carey somos apresentados à história do amor clandestino entre clérigo Oscar Hopkins e a herdeira Lucinda Leplastrier. Feitos um para o outro, os dois são jogadores – um obsessivo, o outro compulsivo – incapazes de ganhar no jogo do amor.

79. Vasto Mar De Sargaços, de Jean Rhys

Antoinette Cosway é uma herdeira crioula nascida numa sociedade colonialista e opressiva. Conhece um jovem inglês que logo se deixa fascinar pela sua sensualidade e beleza, mas depois do casamento começam a circular estranhos rumores, que o envenenam contra ela. Apanhada entre as exigências dele e a sua própria sensação de precária pertença, Antoinette é levada à loucura. Inspirado pelo livro Jane Eyre, de Charlotte Brontë, tem como cenário a paisagem exótica da Jamaica dos anos 30.

78. Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Alice no País das maravilhas é provavelmente o livro de fantasias mais famoso de todos os tempos. Nas aventuras da pequena Alice, tudo é possível, tudo é maravilhoso, e na sua jornada desde que cai pela toca do coelho, a menina encontra personagens inesquecíveis e que povoam os sonhos da nossa infância, como o Coelho Branco que anda sempre atraso, o Gato de Cheshire que não pára de rir, o Chapeleiro Louco, ou a Rainha de Copas, uma monarca com muito mau feitio e especial apetência por decapitações.

77. Ardil 22, de Joseph Heller

Uma das maiores obras literárias do século XX. Passado em Itália durante a II Guerra Mundial, conta a história de um comandante de bombardeiros, um herói incomparável e matreiro, que está furioso porque milhares de pessoas que não conhece de lado nenhum querem matá-lo. Mas o seu verdadeiro problema não é o inimigo – é o seu próprio exército, que está sempre a aumentar o número de missões de voo que os homens têm de cumprir para completarem a sua comissão de serviço. Porém, se  tenta arranjar uma desculpa para ser dispensado das perigosas missões que lhe são atribuídas, viola a Catch-22, o Artigo 22, uma norma burocrática hilariante mas ao mesmo tempo sinistra: um homem é dado como doido se continuar a participar voluntariamente em perigosos voos de combate, mas se apresentar um pedido formal de dispensa é declarado mentalmente são e como tal é-lhe negada a dispensa. Com o recurso à sátira, ao humor negro, e aparentando uma lógica irrefutável, o livro argumenta que a guerra é uma loucura, que os militares são loucos e, muito provavelmente, que a vida moderna é também uma loucura.

76. O Processo, de Franz Kafka

O Processo, conta a história de um homem que se vê envolvido num absurdo processo judicial sem que lhe seja dado qualquer tipo de explicação. Um magistral romance sobre a angústia, a impotência e a frustração do indivíduo numa sociedade opressora e burocratizada, temas recorrentes em toda a obra do autor, um dos mais influentes escritores do século XX.

75. Cider with Rosie, de Laurie Lee

Cider with Rosie é um livro de memórias de uma vívida infância em uma aldeia remota em Cotswold, na Inglaterra, uma aldeia antes da eletricidade ou dos carros, um lugar atemporal à beira da mudança.

74. Waiting for the Mahatma, de RK Narayan

Sriram tem vinte anos. A evolução do jovem para a idade adulta é, para ele, o processo estranho e desconcertante. Bharati, uma menina encantadora e imprevisível, leva-o para uma comitiva de Mahatma Gandhi. Sriram se sente inspirado por Gandhi, mas ele é muito facilmente influenciado por patriotas como Jagadish, um terrorista.

73. A Oeste Nada de Novo, de Erich Remarque

Paul Baumer é filho de uma humilde família alemã durante a Primeira Guerra Mundial. Convencido de seu dever patriótico por adultos e professores, abandona os bancos escolares e se junta às trincheiras de soldados alemães. Em pouco tempo, Paul se vê cercado por um ambiente de horror, vê jovens como ele perecerem e percebe que trocou a sua juventude por uma única e cruel certeza: a do absurdo da guerra, esteja-se do lado que se estiver.

72. Dinner at the Homesick Restaurant, de Anne Tyler

Pearl Tull está a chegar ao fim da sua vida, mas não da sua memória. Desde 1944, quando seu marido a deixou, criou sozinha seus três filhos muito diferentes. Agora crescidos, eles se reuniram – com raiva, com esperança e com uma história bonita, dura, e deslumbrante para contar.

71. O Sonho da Câmara Vermelha, de Cao Xueqin

Publicado em meados do século 18, “O Sonho da Câmara Vermelha”, de Cao Xueqin,  é uma das obras-primas da literatura chinesa. O livro faz um relato detalhado da aristocracia chinesa da época. Acredita-se que o conteúdo da história seja autobiográfico descrevendo o destino da própria família do escritor. Estima-se que tenha vendido entre 80 e 100 milhões de cópias.

70. O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa

Romance histórico situado na segunda metade do século XIX, O Leopardo conta a fascinante história de uma aristocracia siciliana decadente e moribunda, ameaçada pela aproximação da revolução e da democracia. O enredo dramático e a riqueza dos comentários, o contínuo entrelaçar de mundos públicos e privados e, sobretudo, a compreensão da fragilidade humana impregnam O Leopardo de uma particular beleza melancólica e de um raro poder lírico, fazendo dele uma das obras-primas da literatura.

69. Se numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino

No centro de preocupação deste romance está um tema que os teóricos chamam de “crise da representação”, ou seja, no mundo capitalista contemporâneo, dividido, múltiplo, alienado, não teriam mais lugar os romances tradicionais, com princípio, meio e fim, que constroem personagens e organizam o mundo, dando um sentido às coisas. Calvino “socorre” esse leitor que é inquieto e exigente mas que gostaria que os autores escrevessem livros “como uma macieira faz maçãs”. Para isso, faz do próprio leitor seu personagem principal, cuja grande missão é ler romances.

68. Crash, de JG Ballard

Ao destruir o seu carro num acidente, assistindo à morte do condutor do outro veículo diante dos seus olhos, James Ballard, o narrador deste livro, descobre o fascínio pela confusão e caos do metal e de superfícies amolgadas, resultantes do impacto entre carros. É a visão do seu amigo e visionário Robert Vaughan, homem que conduz uma espécie de irmandade de adoradores obcecados com as possibilidades eróticas dos desastres de viação, que Ballard partilha connosco: o derradeiro acidente, uma colisão frontal, um vórtice de sangue, sémen e líquido refrigerante – retrato singular da dependência crescente da tecnologia como intermediária das relações humanas, em que o erótico, o mecânico e o macabro se confundem. Publicado originalmente em 1973, “Crash” continua a ser um dos romances mais chocantes do século XX, tendo sido adaptado para cinema, sob o mesmo título e com igual controvérsia, por David Cronenberg.

67. Uma Curva no Rio, de VS Naipaul

Algures no interior de África, um País que sofreu uma revolução e uma guerra civil dispõe agora de um novo presidente – um homem de imensa e quase louca energia, e de não menor crueza. Bandos de Jovens Multiplicam-se por todo o lado. Na Universidade, um conjunto de investigadores dedica-se a fazer a crónica dos conflitos e dos golpes de Estado da «nova África». As propriedades mudam de mão de um dia para o outro. Toda a gente vive uma vida instável, sem qualquer perspectiva de futuro. As execuções multiplicam-se e nenhuma relação por mais privada ou casual que seja, está livre de um angustiante clima de insegurança.

Naipaul faz-nos acompanhar a existência de um homem solitário, que habita uma aldeia isolada junto à curva de um rio. É um homem quase deliberadamente passivo em relação ao mundo que o rodeia. E através da sua difícil submissão à maré dos acontecimentos, através da sua vontade de escapar ao inevitável até ao momento em que este afinal o atinge, o leitor acaba por sentir, de forma profunda, o carácter implacável da realidade.

66. Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

Recriando um estranho e doloroso mundo em torno da figura do estudante Raskólnikov, perturbado pelas privações e duras condições de vida, é uma das obras por excelência fundadoras da modernidade. Pelo inexcedível alcance e profundidade psicológica, sobretudo no que implica a exploração das motivações não conscientes e a aparente irracionalidade nos comportamentos das personagens, este autor russo tornou-se uma referência universal na literatura, sem perda de continuidade até aos nossos dias.

65. Doutor Jivago, de Boris Pasternak

Boris Pasternak reconstitui parte da história moderna da Rússia ao narrar o drama vivido pelo médico e poeta Iúri Jivago, que foi preso pelos bolcheviques e obrigado a colaborar com eles. Criado durante a Primeira Guerra Mundial, incapaz de controlar seu destino diante da revolução e da guerra civil entre o Exército Branco e o Vermelho, Iúri Jivago firmou-se como um dos grandes heróis da literatura russa.

64. Trilogia do Cairo, de Naguib Mahfouz

Nagib Mahfuz reproduz a evolução das ideias que marcaram profundamente a sociedade egípcia entre as duas grandes guerras. Uma das maiores referências da literatura islâmica, o autor resgata, de forma romântica, uma parte importante da história social do Egito.

63. O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson

Ao narrar as experiências de um médico que tomou uma poção e descobriu “a dualidade absoluta e primordial do homem”, o autor escocês criou um suspense em que o perigo iminente não está do lado de fora, e sim do lado de dentro, na parte obscura da alma.

62. Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

Lemuel Gulliver sempre sonhou em viajar pelo mundo. Quando uma forte tempestade destrói seu barco e o lança à deriva em meio a terras desconhecidas, Gulliver é levado a lugares inimagináveis. Ele viaja a Lilliput, terra de pequeninos habitantes, e Brobdingnag, onde os moradores são altíssimos, como gigantes. Ele vai, ainda, para uma ilha flutuante sobre as nuvens, visita uma terra de imortais e fica preso numa nação governada por cavalos. Passa por lugares onde encontra exércitos em guerra e reis sedentos de poder, e cada nova viagem o faz querer mais fortemente encontrar o caminho de casa.

61. Meu Nome É Vermelho, de Orhan Pamuk

Em O Meu Nome É Vermelho, inicia-se uma viagem até Istambul, do século XVI onde um iluminista da corte aparece morto no fundo de um poço. A partir daqui desenrola-se uma história que pode ser lida não só como um mistério, mas também como uma história de amor. A narrativa desenrola-se em torno das investigações deste homicídio, sendo contada alternadamente por diferentes personagens, a maioria humanas, mas também por animais e objectos. Um romance exótico onde se espelha a tensão entre Ocidente e Oriente.

60. Cem Anos De Solidão, de Gabriel García Márquez

Um dos maiores clássicos de Gabriel García Márquez, o livro narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo.

59. Campos de Londres, de Martin Amis

Ela sabe que vai morrer. Mulher sedutora, íntima do mundo pornográfico, já sonhou com sua morte. Inevitável? Dificilmente, pois Nicola precisa morrer e escolherá um assassino para executá-la. Talvez Guy Clinch, o bom rapaz da apática aristocracia inglesa seja o agente do plano de morte de Nicola.

58. Os Detetives Selvagens de Roberto Bolaño

Arturo Belano e Ulisses Lima, os detectives selvagens, procuram a pista de Cesária Tinajero, a misteriosa escritora desaparecida no México nos anos imediatamente a seguir à Revolução, e essa busca – a viagem e as suas consequências – prolonga-se durante vinte anos, desde 1976 até 1996, o tempo canónico de qualquer errância, bifurcando-se através de múltiplos personagens e Continentes num romance onde há de tudo: amores e mortes, assassinatos e fugas turísticas, manicómios e universidades, desaparições e aparições.

57. O Jogo das Contas de Vidro, de Herman Hesse

Romance futurista que se passa no século XXIII em Castália, comunidade mítica em que intelectuais se deleitam na prática de uma atividade lúdica complexa e requintada que define os valores da sociedade: o jogo das contas de vidro.

56. O Tambor, de Günter Grass

Obra polêmica do Prêmio Nobel de Literatura, este livro foi considerado por muitos o melhor romance sobre o dilaceramento do mundo alemão no pós-guerra. O herói é um anão que, sob as aparências da infância, tem a maturidade de um adulto. Ao tocar seu tambor ele ressuscita suas lembranças de sua família e de seu país agitando um universo grotesco e misterioso cuja lógica não é deste mundo. A crítica mordaz, a ironia desapiedada, o humor corrosivo e a liberdade criadora com que Günter Grass constrói esta obra-prima tornam O Tambor de Lata num dos livros mais importantes da história da literatura.

55. Austerlitz, de WG Sebald

O professor Jacques Austerlitz explora a estação ferroviária de Liverpool Street, em Londres, recolhendo material para suas pesquisas, quando é subitamente tomado por uma visão retrospectiva que talvez o ajude a explicar o sentimento incômodo de ter vivido sempre uma vida alheia. A partir dessa experiência, Austerlitz passa a reconstruir a própria história, descobrir a própria biografia.

54. Lolita, de Vladimir Nabokov

De um lado, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, uma garota de doze anos, perversamente ingénua. A química se faz e dá origem a uma obra-prima da literatura do nosso século. Gerador de grande controvérsia, o romance, rapidamente traduzido em todas as línguas, é hoje considerado um dos clássicos da literatura do século XX.

53. Crónica de uma Serva, de Margaret Atwood

Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.

52. Á Espera no Centeio, de JD Salinger

O livro conta as aventuras de Holden Caulfield, um rapaz de 16 anos, que ao ter de deixar o colégio interno que frequenta, mas receoso de enfrentar a fúria dos pais, decide passar uns dias em Nova Iorque até começarem as férias de Natal e poder voltar para casa. Confuso, inseguro, incapaz de reconhecer a sua própria sensibilidade e fragilidade, Holden percorre nesses dias um intrincado labirinto de emoções e experiências, encontrando as mais diversas pessoas, como taxistas, freiras e prostitutas, e envolvendo-se em situações para as quais não está preparado.

51. Submundo, de Don DeLillo

Escrito por um dos maiores romancistas americanos da actualidade,  Submundo é a crónica de vidas ordinárias inseridas no último meio século da história americana. No imenso palco do romance, elas cruzam-se com figuras que marcaram a época – J. Edgar Hoover, Frank Sinatra, entre outras. DeLillo faz surgir uma obra de arte deslumbrante do outro lado, obscuro e escondido, da humanidade contemporânea.

50. Beloved, de Toni Morrison

Eleito em 2006 pelo New York Times o livro de ficção mais importante dos últimos 25 anos nos Estados Unidos, Beloved é o mais conhecido romance de Toni Morrison. A trama passa-se em 1873, época em que o país começava a lidar com as feridas da escravidão recém-abolida, conta a história da ex-escrava Sethe, que após fugir de uma fazenda no Kentucky refugia-se em Cincinatti. Um poderoso romance de redenção que cria vida a partir da morte, instinto maternal a partir da crueldade e a história que fora esquecida a partir do silêncio.

49. As Vinhas Da Ira, de John Steinbeck

Na década de 1930, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa e provocaram o êxodo de muitos deles para oeste, rumo à Califórnia, em busca de trabalho. Quando os Joad perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma, juntam-se a milhares de outros ao longo das estradas, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina.

Este romance que é universalmente considerado a obra-prima de John Steinbeck, publicado em 1939 e premiado com o Pulitzer em 1940, é o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estoica de uma mulher. As Vinhas da Ira é um marco da literatura mundial.

48. Go Tell It on the Mountain, de James Baldwin

Publicado pela primeira vez em 1953, é a primeira grande obra de Baldwin, um romance que se estabeleceu como um clássico americano. Com precisão lírica, franqueza psicológica, ressoando o poder simbólico, Baldwin narra a descoberta de um menino de quatorze anos de idade dos termos de sua identidade como o enteado do ministro de uma Igreja Pentecostal no Harlem.

47. A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

A Insustentável Leveza do Ser é um magnífico romance na medida em que explora em profundidade a ideia da incoerência das acções do ser humano baseada nas suas motivações mais obscuras mas verdadeiras, procurando uma explicação para o não sentido que a vida de cada um aparentemente tem independentemente das circunstâncias exteriores em que vive, numa clarividência convincente que mostra a rica e complexa teia de sentimentos única e intrínseca a cada pessoa, materializados nas personagens Tomás, um amante libertino que fica refém do amor possessivo de Teresa, a fraqueza revelada força, e nas personagens Sabina e Franz, uma mulher que trai por prazer e um homem que nunca consegue materializar os ideais que persegue.

46. The Prime of Miss Jean Brodie, de Muriel Spark

Miss Jean Brodie é uma professora singular. Romântica, heroica, cômica e trágica, as suas ideias são avançadas, entrando em conflito com as convenções estabelecidas. E quando decide transformar um grupo de jovens sob a sua tutela na nata da nata da escola Marcia Blaine, ninguém consegue prever o que acontecerá.

45. Le Voyeur, de Alain Robbe-Grillet

Mathias, um tímido e ineficaz caixeiro-viajante, retorna para a ilha do seu nascimento após uma longa ausência. Dois dias depois, uma menina de treze anos de idade, é encontrada afogada e mutilada. Com precisão assustadora, Robbe-Grillet coloca-nos na cena do crime e leva-nos para dentro da mente de Mathias, no encalço de um maníaco homicida.

44. A Náusea, de Jean-Paul Sartre

Escrito sob a forma de diário íntimo, o autor constrói um romance filosófico a partir dos sentimentos e da observação das acções banais de Antoine Roquentin, o protagonista, que, ao perambular por uma cidade desconhecida, é confrontado com o absurdo da condição humana.

43. A tetralogia Coelho, de John Updike

Na série Coelho [“Coelho Corre” (1960), “Coelho Em Crise” (1971), “Coelho Cresce” (1981) e “Coelho Cai” (1990)], Updike traça um painel balzaquiano da vida americana. A tetralogia acompanha Harry Angstrom, o Coelho (jogador de basquete frustrado), e sua família.

42. As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Este livro pode ser interpretado como uma simples história sobre as aventuras de um rapaz no Vale do Mississípi durante a segunda metade do século XIX. Mas a diversidade da experiência humana e as situações humorísticas e dilacerantes por que passa Huck fazem dele uma obra ímpar.

No meio dos mais diversos episódios a solidão faz com que Huck receie não fazer parte do mundo. Mas a solidão é-lhe necessária para sentir a liberdade ou pelo menos, usando a expressão de H. Bloom, «para não renunciar ao desejo de uma permanente imagem de liberdade».

41. O cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle

Como uma maldição, a antiga lenda do cão dos Baskervilles, datada de 1742, persistira na história da família durante gerações. A misteriosa morte de Sir Charles, nas imediações da Mansão Baskerville, leva Sherlock Holmes a iniciar a investigação de um dos seus mais famosos e intrigantes casos, na fantasmagórica e selvagem charneca do Devon.

40. House of Mirth, de Edith Wharton

A bela Lily Bart vive entre os “nouveaux riches” de Nova Iorque, gente cujas fortunas foram feitas graças aos caminhos-de-ferro, aos transportes marítimos e à especulação imobiliária. É neste mundo moral e esteticamente decadente que Lily procura um marido capaz de satisfazer a sua enorme necessidade de se sentir admirada bem como de lhe garantir o luxo e a opulência que tanto aprecia.

39. Things Fall Apart, de Chinua Achebe

Esta é a história de Okonkwo, um guerreiro afamado em nove aldeias dos Ibo, na Nigéria, entre o final do século XIX e o início do século XX. Okonkwo vive no seio do clã de Umuofi a com as suas três mulheres e os seus fi lhos, empenhado em conquistar o título mais nobre do seu povo. A sua vida é marcada pelo medo de falhar, pelo orgulho que sente nas suas tradições e pela enorme ambição de demonstrar à aldeia que é um dos seus filhos mais ilustres.

Chinua Achebe retrata neste romance um poderoso povo de guerreiros, leal aos seus costumes e aos seus mitos, mas com características sociais muito avançadas. Os eventos que aí se sucedem recordam a chegada dos primeiros missionários britânicos com o intuito de “pacificar” a região: os massacres descritos nestas páginas assemelham-se aos perpetrados pelos próprios ingleses naquela época.

38. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

Obra-prima de F. Scott Fitzgerald, este clássico do século XX retrata a alta sociedade de Nova York na década de 1920, com sua riqueza sem precedentes, festas exuberantes e o encanto das melindrosas ao som do jazz. O sol em ascensão desse universo cintilante e musical é o enigmático milionário Jay Gatsby, ao redor do qual orbitam três casais de enorme glamour e desencontrados, numa trama densa, repleta de intrigas, paixões e conflitos que precipitam o trágico eclipse.

37. The Warden, de Anthony Trollope

A atmosfera tranquila da cidade catedral de Barchester é destruída quando é descoberto um escândalo num lar de idosos gerido pela Igreja.

36. Os Miseráveis, de Victor Hugo

Numa noite de Outubro de 1815, um homem exausto e esfomeado entra a pé na cidade de Digne. Expulso das estalagens, e tendo já perdido todas as esperanças de encontrar uma cama para passar a noite, Jean Valjean bate à porta de uma casa. Ao entrar, anuncia: Anciãos, fiquem a saber que eu sou um condenado! Passei dezanove anos nos trabalhos forçados em Toulon. Ao ouvir estas palavras, o seu anfitrião, Monsenhor Myriel, manda acrescentar um talher na mesa e vai buscar dois belos candelabros de prata. De manhã, o condenado foge depois de roubar o seu benfeitor.

35. Lucky Jim, de Kingsley Amis

A história centra-se na vida de James “Jim” Dixon, um professor universitário de História Medieval que, ao contrário do que o título sugere, não se sente particularmente sortudo – está aborrecido com o seu trabalho e luta por sobreviver a uma sociedade burguesa e provinciana. Nesta comédia do absurdo, toda a acção se desenvolve em torno do controle individual sobre o outro.

34. The Big Sleep, de Raymond Chandler

Philip Marlowe, detective particular em Los Angeles, é chamado à mansão do velho General Sternwood para investigar um caso de chantagem, aparentemente banal, envolvendo uma de suas filhas. Em pouco tempo, Marlowe percebe que algo se esconde atrás desse pedido, e que as duas filhas do General, Vivian e Carmen Sternwood, podem ser mais perigosas do que aparentam.

33. Clarissa, de Samuel Richardson

Considerada a novela mais longa no idioma inglês, Clarissa conta a história trágica de uma heroína cuja busca pela virtude é continuamente frustrada por sua família.

32. Dance To The Music Of Time, de Anthony Powell

Nesta sequência de doze novelas, Anthony Powell narra a vida de mais de três centenas de personagens, e é uma evocação de vida única no século XX Inglaterra.

31. Suite Francesa, de Irène Némirovsky

Suite Francesa é, ao mesmo tempo, um brilhante romance sobre a guerra e um documento histórico extraordinário. Uma evocação inigualável do êxodo de Paris após a invasão alemã de 1940 e da vida sob a ocupação nazi, escrito pela ilustre romancista francesa Irène Némirovsky ao mesmo tempo que os acontecimentos se desenrolavam à sua volta.

Embora tenha concebido o livro como uma obra em cinco partes (com base na estrutura da Quinta Sinfonia de Beethoven), Irène Némirovsky só conseguiu escrever as duas primeiras partes, Tempestade em Junho e Dolce, antes de ser presa, em Julho de 1942. Morreu em Auschwitz no mês seguinte. O manuscrito foi salvo pela sua filha Denise; foi apenas décadas depois que Denise descobriu que o que tinha imaginado ser o diário da mãe era na verdade uma inestimável obra de arte, que viria a ser aclamada pelos críticos europeus como um Guerra e Paz da Segunda Guerra Mundial.

Romance assombroso, intimista, implacável, desvelando com uma lucidez extraordinária a alma de cada francês durante a Ocupação (enriquecido e completado pelas notas e pela correspondência de Irène Némirovsky), Suite Francesa ressuscita, numa escrita brilhante e intuitiva, um momento decisivo e marcante da nossa memória colectiva.

30. Atonement , de Ian McEwan

No dia mais quente do Verão de 1935, Briony Tallis, de 13 anos, vê a irmã Cecilia despir-se e mergulhar na fonte que existe no jardim da sua casa.

É também observada por Robbie Turner, um amigo de infância que, à semelhança de Cecilia, voltou há pouco tempo de Cambridge. Depois desse dia, a vida das três personagens terá mudado para sempre. Robbie e Cecilia terão ultrapassado uma fronteira que, à partida, nem sequer imaginavam e tornar-se-ão vítimas da imaginação da irmã mais nova. Briony terá presenciado mistérios e cometido um crime que procurará expiar ao longo de toda a sua vida.

Expiação é, porventura, a melhor obra de Ian McEwan. Descrevendo de forma brilhante e cativante a infância, o amor e a guerra, a Inglaterra e a situação de classes, contém no seu âmago uma exploração profunda – e muito comovente – da vergonha, do perdão, da expiação e da dificuldade da absolvição.

Nomeado para o Booker Prize e para o Whitbread Award 2001

29. A Vida Modo de Usar, de Georges Perec

Construído a partir de muitas histórias que se cruzam, este livro, publicado em Paris em 1978, quatro anos antes da morte prematura do autor, aos 46 anos, traz um novo estilo literário aliado a uma tradição narrativa. Misturando ironia e angústia, mostra como a busca de um projeto estrutural e o imponderável da poesia se tornam uma só coisa.

28. Tom Jones, de Henry Fielding

Esta história é um convite a acompanhar de perto a vida de Tom Jones desde seu nascimento até a fase adulta. Durante o seu percurso de vida, Tom enfrentará questões como crime, injustiça, desencontros e aprenderá, principalmente, a lidar com o amor.

27. Frankenstein, de Mary Shelley

O arrepiante romance gótico de Mary Shelley foi concebido quando a autora tinha apenas dezoito anos. A história, que se tornaria a mais célebre ficção de horror, continua sendo uma incursão devastadora pelos limites da invenção humana. Obcecado pela criação da vida, Victor Frankenstein saqueia cemitérios em busca de materiais para construir um novo ser. Mas, quando ganha vida, a estranha criatura é rejeitada por Frankenstein e lança-se com afinco à destruição de seu criador.

26. Cranford, de Elizabeth Gaskell

Um dos romances mais conhecidos da escritora inglesa do século XIX, Elizabeth Gaskell, a história passa-se na fictícia Cranford, uma cidade inglesa do interior, em meados do século XIX, quase exclusivamente habitada por mulheres. Narrado em primeira pessoa por Mary Smith, uma visitante assídua da localidade, o livro conta as aventuras de Miss Matty e Miss Deborah, duas irmãs solteironas que se esforçam para viver com dignidade em circunstâncias de escassez.

25. A Pedra Da Lua , de Wilkie Collins

Um dos marcos do início da literatura policial, onde Wilkie Collins, utilizando elementos da literatura de folhetim, muito comum no século XIX, inventa um novo género. Um imenso diamante – a pedra da lua do título – traz uma maldição, mas mesmo assim é roubado no dia do aniversário de dezoito anos de uma bela adolescente.

24. Ulysses, de James Joyce

Ulisses é um romance de referências homéricas, que recria um dia de Dublin, a quinta-feira de 16 de Junho de 1904.
Nesse único dia e na madrugada que se lhe seguiu, cruzam-se as vidas de pessoas, conversam, tecem intrigas amorosas, viajam, sonham, bebem e filosofam, sendo a maior parte das situações construídas em torno de três personagens.

23. Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Ema Bovary persegue a imagem do mundo que lhe é dada por uma certa literatura desligada da realidade. Arrastada pelas suas ilusões, a mulher do prosaico Carlos Bovary imagina-se uma grande amorosa. A realidade revela-se impiedosa. E, no entanto, Madame Bovary, na época judicialmente perseguido devido à sua «cor sensual» e à «beleza provocadora de Ema», está longe de ser essa lição de realismo que muitos nele quiseram ver.

22. Uma passagem para a Índia, de EM Forster

O livro reconstitui, de maneira ficcional, aspectos da colonização inglesa na Índia, detendo-se sobretudo no conflito que se estabeleceu durante o contato de duas culturas tão diferentes. Uma passagem para a Índia mistura o relato de viagem à análise da sociedade que se criou com a chegada dos colonizadores. Forster, no entanto, não esbarra em um problema comum a esse tipo de texto – a parcialidade –, e abre espaço no livro para uma pluralidade de pontos de vista que compõem painel bastante diversificado da Índia ocupada pelos ingleses.

21. 1984, de George Orwell

Winston vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito colectivamente, mas cada um vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel. De aparência naturalista, trata das realidades e do terror do poder político, não apenas num determinado país, mas no mundo — num mundo uniformizado. Foi escrito como um ataque a todos os factores que na sociedade moderna podem conduzir a uma vida de privação e embrutecimento, não pretendendo ser a «profecia» de coisa nenhuma.

20. A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, de Laurence Sterne

Faltam algumas páginas no volume IV deste livro. Não por erro de edição, mas por determinação do narrador – o cavalheiro Tristram Shandy -, que decide suprimir um capítulo inteiro simplesmente por julgá-lo de qualidade muito superior a tudo o que escrevera: a excelência dessas páginas seria um atentado ao equilíbrio e à harmonia do livro. Foram ousadias desse tipo que ajudaram a fazer de Tristram Shandy um best-seller do século XVIII. Escrito e publicado entre 1759 e 1767, é uma das obras mais bizarras da literatura universal um dos portentos precursores da arte literária moderna. Teve êxito imediato no excelente século XVIII inglês, caindo a seguir num relativo esquecimento, sendo redescoberto como obra de vanguarda ao irromper a estética moderna.

19. A Guerra Dos Mundos, de HG Wells

Por tempos, os homens foram estudados à distância pelos marcianos, que os observavam como quem analisa micróbios por um microscópio. No final do século XIX, entretanto, eles partem para a Terra e aterram nos arredores de Londres. Este livro pode ler-se como uma simples fantasia: a história de uma guerra com um final ao menos temporariamente, feliz. Ou pode pensar-se no contexto em que foi escrita (1898), numa altura em que o Mundo Ocidental pressentia que uma boa parte do que tinha sempre tido por imutável e seguro estava de facto a chegar ao fim. Em qualquer caso, e seja qual for a perspectiva do leitor, A Guerra dos Mundos não deixará de ser por todos considerada como uma narrativa verdadeiramente apaixonante.

18. Scoop, de Evelyn Waugh

O que pode acontecer quando The Beast, importante jornal londrino, manda como correspondente de guerra para um obscuro país africano o sr. Boot, um ingênuo aristocrata interiorano, especialista em descrever bucólicas cenas campestres? Desse pequeno engano decorre uma comédia de equívocos que culmina num inesperado furo de reportagem. E a partir desse erro Evelyn Waugh monta um romance, onde o absurdo se torna rotina e o mundo do jornalismo é ridicularizado.

17. Tess of the D’Urbervilles, de Thomas Hardy

Adaptado para os cinemas em 1979 por Roman Polanski, o livro conta a história de Tess Durbeyfield, uma camponesa de família pobre que descobre um possível parentesco com uma rica família da região.

16. O Condenado, de Graham Greene

Lançado em 1938 e primeiro sucesso comercial da carreira do autor, o livro é uma trama policial que envolve o jornalista Charles Hale, o gângster Pinkie, a garçonete Rose e a sensual Ida Arnold.

15. The Code of the Woosters, de PG Wodehouse

Esta é uma das famosas histórias de Jeeves e Wooster, narradas pelo rico e desmiolado Bertie Wooster. Uma série de contos e romances que narram as situações improváveis e infelizes em que Bertie e seus amigos se encontram e da forma em que seu engenhoso Jeeves é sempre capaz de tirá-los.

14. O Morro Dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

A obra conta a história da paixão entre Heathcliff e Catherine na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes. Amigos de infância, eles são separados pelo destino, mas a união do casal é mais forte do que qualquer infortúnio – um amor proibido que deixará rastos de raiva e vingança.

13. David Copperfield, de Charles Dickens

David nasce pouco depois da morte do seu pai. A mãe, Clara, é fraca, mas ama-o. Quando David tem nove anos, ela casa de novo com um homem cruel e disciplinador que acaba por ser responsável pela sua morte, pouco depois de David ter sido enviado para um colégio interno. David é então posto de novo fora de casa, desta vez para ser criado de uma família de Londres que se dedica ao comércio de vinhos.

12. Robinson Crusoé, de Daniel Defoe

Robinson Crusoé é um náufrago que sobrevive a tempestades e furacões, a piratas gananciosos, a selvagens canibais e à vida solitária numa ilha deserta. Com imaginação e habilidade, constrói casas, barcos e ferramentas que lhe permitem viver décadas longe da civilização. Mas é em Sexta-Feira, um nativo que ele salva da escravidão, que encontra a verdadeira humanidade.

11. Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

O romance retrata a relação entre Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy na Inglaterra rural do século XVIII. Lizzy possui outras quatro irmãs, nenhuma delas casadas, o que Sra. Bennet, mãe de Lizzy, considera um absurdo. Quando Sr. Bingley, jovem bem sucedido, aluga uma mansão próxima da casa dos Bennet, Sra. Bennet vê nele um possível marido para uma de suas filhas.

10. Don Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes

D. Quixote, um fidalgo de Castela assanhado pela leitura de romances de cavalaria, decide que é seu «ofício e exercício andar pelo mundo endireitando tortos, e desfazendo agravos» e parte à aventura na companhia de seu fiel e prosaico escudeiro, Sancho Pança. As hilariantes maluquices do Cavaleiro Andante liquidam, com a sua “moral do fracasso”, as últimas ilusões da epopeia: aquilo a que Adorno chama “a ingenuidade épica”.

9. Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf

A I Grande Guerra terminou, o calor do Verão invade Londres e Clarissa, Mrs. Dalloway, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, a chegada de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai despertar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos adolescentes e a discussão que muitos anos antes a precipitou num casamento sem fulgor. De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida em seu redor, de Peter inalterado e contudo diverso, e da sua filha Elizabeth que se está a tornar uma mulher. Mas a originalidade maior do livro vem dessa espécie de duplo de Mrs. Dalloway, Septimus Warren Smith, enlouquecendo em silêncio com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência.

8. Desgraça, de JM Coetzee

Lurie, 52 anos, professor universitário na Cidade do Cabo, é expulso da Universidade por causa de um affair sexual com uma aluna. Decide então ir viver para a quinta da sua filha Lucy, uma ex-hippy que se convertera à terra. É ela que tratada herdade e tenta viver o melhor que pode a sua relação com os vizinhos negros. A determinada altura, a quinta é assaltada por três homens que violam Lucy, fecham o pai na casa-de-banho, vandalizam a casa e pegam-lhe fogo. O mundo de David Lurie desaba por completo.

7. A Paixão de Jane Eyre, de Charlotte Brontë

A Paixão de Jane Eyre, publicada pela primeira vez em 1847, atraiu de imediato a atenção do público da época e dividiu a crítica. Habituada às heroínas de Jane Austen, que pareciam conhecer exactamente o seu lugar na sociedade, a sociedade britânica sentiu-se desconfortável com o personagem feminino criado por Charlotte Brontë: embora as acções de Jane observem o código convencional de comportamento feminino, deixam transparecer também uma poderosa declaração de independência das mulheres. A Paixão de Jane Eyre é a história de uma órfã que vive com a sua desagradável tia e os seus nada atractivos primos. Mais tarde, colocada num asilo, Jane começa a desenvolver um espírito independente para a época e aprende que a melhor maneira de manter o respeito próprio na adversidade é manter o autocontrole. Esta aprendizagem irá servir-lhe para toda a vida e permite-lhe repudiar noivos, ser auto-suficiente, mudar de identidade e encontrar um seu igual ao nível intelectual e da paixão sexual.

6. Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust

Nesta obra em sete volumes (que começa com “No caminho de Swann”), Marcel – o protagonista, cujo nome só é citado duas vezes no romance – segue um percurso para se tornar escritor. Ao longo da história, o autor percorre várias reflexões sobre o amor, a arte e a passagem do tempo.

5. O Coração das Trevas, de Joseph Conrad

A novela Coração das trevas é um dos maiores clássicos da literatura do século XX, conhecida também por ter servido de ponto de partida para o filme Apocalypse Now!. O leitor acompanha o mergulho do protagonista Marlowe pelos meandros da selva africana e das perversões mais profundas do projeto de exploração colonial. A missão de Marlowe é resgatar Kurtz, um comprador de marfim cujos métodos acabam por se revelar inadequados para a empresa mercantil que o contratou.

4. Retrato de Uma Senhora, de Henry James

Esta novela clássica de Henry James, conta-nos os caminhos e atribulações de Isabel Archer, uma implacável e independente americana, que vive na Europa, na década de 1870. Primeiro, aos 23 anos, pretere o casamento, em favor de experimentar tudo o que a vida tinha para lhe oferecer. Mas eventualmente, Isabel casa-se com o dominador Gilbert Osmond – cujas manipulações quase destroem a vida e o espírito de Isabel. A sua esperança é escapar-se de Osmond, antes que seja tarde demais…

3. Anna Karenina, de Leo Tolstoy

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Esta é uma das aberturas mais famosas de todos os tempos, e ainda hoje impressiona a sabedoria concisa com que Tolstoy introduz o leitor no universo de Anna Karenina. A personagem-título, ao abandonar sua sólida posição social por um novo amor, e seguir esta opção até as últimas consequências, potencializa os dilemas amorosos, vividos dentro ou fora do casamento, de toda a ampla galeria de personagens que a circunda.

2. Moby Dick, de Herman Melville

Mas Ahab, quando se dirige à tripulação apelando para que o ajudem na sua demanda vingativa de caçar e matar a invencível Moby Dick, a branca baleia-leviatã, consegue reunir todos à sua volta, incluindo Starbuck, o relutante primeiro-oficial. Independentemente do grau da sua culpa (a escolha da tripulação era livre, ainda que apenas a recusa geral pudesse detê-lo), é melhor pensar no capitao do Pequod como num protagonista trágico, muito próximo de Macbeth e do Satanás de Milton. Na sua obsessão visionária, Ahab tem em si algo de quixotesco, apesar da sua dureza não ter nada em comum com o espírito de jogo do Quixote.

1. A vida era assim em Middlemarch, de George Eliot

Não sendo apenas um romance vitoriano, é também o retrato perfeito de uma época, estranha aos nossos olhos, onde o estatuto social era tudo e na qual o amor nem sempre bastava. Middlemarch narra os principais acontecimentos na vida dos habitantes da região e o modo como estas vidas, apesar de independentes, se acabam por cruzar perante a adversidade que sobre elas recai.