Design Thinking estimula o uso de novas ferramentas e novos modelos de processos que ajudam a melhorar, acelerar e a percepcionar o processo criativo, realizado não só por designers, mas também por equipas multi-disciplinares em diferentes tipos de organização.

O design thinking é uma ferramenta para a inovação a todos os níveis das organizações, onde se estimula o designer na procura de soluções que sejam sustentadas por necessidades, de forma a se poder construir sistemas que otimizem a experiência e, por consequência, se aumente também a satisfação do consumidor (Serrat, 2010). Gates e Melinda (2012) acreditam que este é um processo que procura pensar primeiro nas pessoas e, por isso, faz mais que sentido colocar as pessoas no centro do problema e da solução.

É a inspiração, o problema ou a oportunidade que motiva a busca por soluções; a idealização, o processo de criar, desenvolver e testar ideias; e a implementação, o caminho que vai do estúdio de design ao mercado. Os projetos podem percorrer esses passos mais de uma vez à medida que a equipa amadurece as suas ideias e explora novos caminhos (Brown, 2010, tradução livre, p.16.)

– Tim Brown

Design Thinking: Uma forma de pensar

O designer olha para o problema de forma a perceber tudo aquilo que prejudica ou impede, de uma forma direta ou indireta, toda a experiência emocional e todo o bem-estar das pessoas ao considerar todos os aspetos do seu dia-a-dia, como o trabalho, as horas de lazer ou até mesmo a cultura (Lockwood, 2010).

Design Thinking - IDEO

O design thinking utiliza a sensibilidade, paralelamente com os métodos usados pelos designers, para corresponder às expectativas e superar as necessidades dos consumidores (Martin, 2009).

Recorre aquilo que é tecnologicamente aceitável e procura criar estratégias de negócio viáveis e que futuramente se possam converter em oportunidades de mercado e em algo com valor para o consumidor (Ambrose & Harris, 2010).

Design Thinking - Tomas Lockwood

Lockwood (2010), ex-presidente do Design Management Institute (DMI) e fundador de uma nova firma, a Lockwood Resource, especializada em design, inovação e liderança, destaca cinco características fundamentais ou aspetos-chave que o design thinking permite:

(1) Perceber profundamente toda a estrutura do processo, do cliente, o seu ambiente, as suas inspirações, as suas aspirações, todo o contexto que possa auxiliar e contribuir para uma articulação de informações, saber é poder, porque vive de informações;

(2) Formar grupos com características multidisciplinares permitirá executar trabalhos de forma interdisciplinar;

(3) Acelerar o processo de aprendizagem através da visualização, da experimentação e através de protótipos;

(4) Criar conceitos;

(5) A integração em todo o processo dos aspetos fundamentais do negócio sem limitar a criatividade, permite o pensamento integrado e combinado de ideias criativas com pormenores estratégicas ou condicionantes mais tradicionais, usa o que existe sem descurar nada e constrói algo novo.

A contribuição do design é permanente e efetiva, com preocupações estratégicos tornando-se numa ferramenta integradora através de processos enriquecedores, transformadores, dinâmicos e interativos, despoletando inovação e procurando soluções mais adequadas à realidade. Face às constantes e difíceis exigências do mercado, aos elevados níveis de competitividade e à necessidade crescente de serviços e produtos cada vez mais inovadores, é crucial usar novas ferramentas, capazes de lidar com novas realidades, capazes de criarem novas soluções, novas escolhas e novos caminhos (Nigel, 2011).

Design Thinking - João Branco

João Branco, professor, designer, investigador, que iniciou a sua carreira de docente na ESAD, tendo deixado uma marca forte nas gerações de designers que passaram pelas suas aulas defende que o design pode ser visto de várias perspetivas, sendo que:

Ao entendermos o design como uma atividade de resolução de problemas, técnica, de incorporação do estético, de significado, nos produtos/serviços, nas imagens e nos ambientes, de caráter sistémico e de coordenação, concluiremos que deverá ter um posicionamento, uma estrutura e um nível de intervenção empresariais que têm de ser discutidos, que devem ser refletidos. Mas o design é também, o resultado desta atividade. É uma ideia, um projeto realizado, um objeto, uma imagem, um ambiente. A conceção expressa do que é o design permite-nos avançar para uma outra, a de design management, enquanto processo informado e racional de escolha e afetação de recursos do design para alcançar os objetivos de uma empresa, ou de uma organização (Branco, 2001, p.51).

O design thinking, recurso do design, não é novo, mas só agora lhe demos um nome (Brown, 2009). É um processo que cruza com os três níveis da gestão do design e por isso, inevitavelmente, fará parte da estratégia de design nos processos de negócio (Lockwood, 2010). Tudo se interliga, a responsabilidade da gestão do design, “como disciplina, como técnica é um instrumento de valor acrescentado” (Branco, 2001, p. 52).